O testamento mais emocionante que já li… e que não fala de herança material
- Ingryd Moraes
- 25 de abr. de 2025
- 4 min de leitura

O que o testamento do Papa Francisco nos ensina sobre o verdadeiro significado de legado
Quando falamos em testamento, a primeira coisa que geralmente vem à mente é a distribuição de bens materiais: imóveis, dinheiro, joias, carros e patrimônios diversos. Afinal, o testamento é um instrumento jurídico que permite a alguém, em vida, declarar como deseja que seus bens sejam partilhados após sua morte. Mas e se eu te dissesse que o testamento mais forte e tocante que já li não fala sobre herança material?
Esse testamento foi escrito por ninguém menos que o Papa Francisco.
Com a saúde fragilizada e a consciência de que sua passagem por esta vida se aproxima, o pontífice poderia ter solicitado qualquer coisa. No entanto, o conteúdo de seu testamento é de uma simplicidade comovente — e, ao mesmo tempo, profundamente poderoso.
O único pedido do Papa Francisco
No seu testamento, Papa Francisco expressa apenas um desejo: que seus restos mortais descansem na Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma. Um lugar onde, segundo ele, sempre se sentiu acolhido, em paz e próximo de Deus. É ali que ele costumava ir para rezar antes e depois de cada viagem apostólica.
Nada de grandes monumentos. Nenhuma exigência por homenagens públicas ou túmulo luxuoso. Ele pediu um túmulo simples, no chão, sem decoração especial e com apenas uma inscrição: Franciscus.
Um testamento que fala de fé, humildade e amor
O testamento do Papa Francisco não distribui bens. Ele transmite valores.
Mais do que um documento jurídico, seu testamento se torna um verdadeiro ato de fé e de entrega espiritual, um legado de humildade, de serviço ao próximo e de confiança plena na vida eterna.
No trecho final, ele ainda diz:
“O sofrimento que esteve presente na última parte de minha vida eu o ofereço ao Senhor pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos.”
Afinal, o que é um legado?
Esse testamento nos convida a refletir sobre uma pergunta essencial:O que queremos deixar para o mundo quando partirmos?
É claro que o planejamento patrimonial e sucessório é importante — e aqui no site falamos muito sobre isso. Fazer um testamento formal, por exemplo, evita brigas familiares, protege o patrimônio e garante que seus desejos sejam respeitados. Mas o verdadeiro legado vai além da partilha de bens. É aquilo que deixamos no coração das pessoas: nossos valores, ensinamentos, gestos de amor, fé, generosidade.
Um exemplo que inspira também no campo jurídico
Do ponto de vista legal, o testamento do Papa é válido porque cumpre um dos requisitos fundamentais: expressar de forma clara e inequívoca a vontade do testador. Mesmo tratando apenas do local de sepultamento, trata-se de um desejo pessoal, legítimo, e digno de ser respeitado.
Essa é mais uma prova de que testamento não precisa ser complicado, nem restrito a questões materiais. Ele pode (e deve) refletir a essência de quem somos.
Em resumo:
O testamento é um instrumento jurídico de expressão de vontade pós-morte.
Pode tratar de bens, mas também de desejos pessoais, como o local de sepultamento.
O testamento do Papa Francisco ensina que o maior legado não é o que acumulamos, mas o que oferecemos de coração.
Pensar sobre isso é também um convite à reflexão sobre o seu próprio legado — material e imaterial.
Se você nunca pensou em fazer um testamento por achar que não tem "bens suficientes", saiba que esse não é um documento exclusivo para milionários. É um gesto de responsabilidade, cuidado e amor.
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Está é a íntegra do testamento do Papa Francisco:
"Em Nome da Santíssima Trindade. Amém. Sentindo que se aproxima o ocaso da minha vida terrena e com viva esperança na Vida Eterna, desejo expressar a minha vontade testamentária somente no que diz respeito ao local da minha sepultura. Sempre confiei a minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe do Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que os meus restos mortais repousem, esperando o dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maior. Desejo que a minha última viagem terrena se conclua precisamente neste antiquíssimo santuário Mariano, onde me dirigia para rezar no início e fim de cada Viagem Apostólica, para entregar confiadamente as minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecer-Lhe pelo dócil e materno cuidado. Peço que o meu túmulo seja preparado no nicho do corredor lateral entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza desta mesma Basílica Papal, como indicado no anexo. O túmulo deve ser no chão; simples, sem decoração especial e com uma única inscrição: Franciscus. As despesas para a preparação da minha sepultura serão cobertas pela soma do benfeitor que providenciei, a ser transferida para a Basílica Papal de Santa Maria Maior e para a qual dei instruções apropriadas ao Arcebispo Rolandas Makrickas, Comissário Extraordinário do Cabido da Basílica. Que o Senhor dê a merecida recompensa àqueles que me quiseram bem e que continuarão a rezar por mim. O sofrimento que esteve presente na última parte de minha vida eu o ofereço ao Senhor pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos. Santa Marta, 29 de junho de 2022"






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